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O que é preciso para combater a poluição atmosférica?

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O que é preciso para combater a poluição atmosférica?
Você sabia que a poluição atmosférica resulta em 9 milhões de mortes no mundo todos os anos? Desse total, pelo menos 51 mil casos acontecem no Brasil. Nesse artigo você irá entender como combater esse inimigo invisível, através de ações individuais e coletivas.
Introdução
A poluição atmosférica está presente no cotidiano de todos. Contudo, poucos percebem seu impacto, uma vez que ela é invisível aos olhos. Em alguns casos, ela pode até estar “fantasiada” em um belo pôr-do-sol. Nessa situação, as partículas de poluição são responsáveis por refletir a luz solar e criar as cores tão bonitas que enxergamos no céu ao entardecer.
As fontes que emitem essas partículas são variadas. Porém, todas resultam das atividades humanas industriais que demandam uso intensivo de recursos naturais. Por exemplo, normalmente, na produção agropecuária é necessário um amplo espaço para a criação de animais. Consequentemente, ocorre o desmatamento para abertura de pastos e cultivo de insumos para a ração desses animais. Assim, quilômetros de floresta precisam ser devastados e os recursos naturais são explorados a nível máximo. Os resultados desse cenário são, principalmente, as queimadas, que resultam diretamente na poluição atmosférica, e a derrubada da mata nativa, que é responsável por filtrar o ar.
Por que é preciso combater?
Uma informação pouco sabida pela população é que a poluição atmosférica resulta em 9 milhões de mortes no mundo todos os anos. Desse total, pelo menos 51 mil casos acontecem no Brasil. Assim, a Organização Mundial da Saúde listou a poluição atmosférica como pauta prioritária na agenda global. Isso quer dizer, em outras palavras, que trata-se de um assunto urgente e de interesse coletivo. Assim, se quisermos que a Terra seja um lugar habitável para a nossa geração e também para as próximas, precisamos nos engajar nesse debate.
Além disso, já foi comprovado por diversos estudos científicos que o ar contaminado piora a saúde humana de forma significativa. Seja pelo desenvolvimento de doenças como câncer de bexiga, doenças pulmonares (especialmente em crianças), doenças cardiovasculares, agravamento do Covid-19, diabetes, entre outras. Neste artigo (linkar o artigo sobre doenças), no blog do Instituto Saúde e Sustentabilidade, aprofundamos sobre os impactos na saúde humana devido à poluição atmosférica.
Outros dois motivos que tornam a qualidade do ar um tema indispensável no debate público são:
1- A correlação entre poluição do ar e as mudanças climáticas;
2- O seu alto custo econômico, resultante do impacto no sistema de saúde e no mercado de trabalho.
Para saber mais sobre esses motivos, sugerimos a leitura desse artigo, também disponível no blog do Instituto Saúde e Sustentabilidade.
O que pode ser feito?
Em primeiro lugar: por que o combate não depende apenas de você?
Antes de continuar lendo, precisamos pontuar algo importante: a luta contra a poluição atmosférica, assim como outras causas, precisa partir, especialmente, da união entre pessoas. Isso porque, quando se trata de uma questão com grandes impactos como essa, é provável que as resoluções vão depender de muitos atores sociais como o governo, as empresas e a própria sociedade civil.
Contudo, sabemos da importância de ações individuais para a formação de pequenas redes de influência. Dessa forma, organizamos duas listas com sugestões de ações coletivas e individuais para combater a poluição atmosférica.
Ações coletivas para combater a poluição atmosférica
Este artigo da WRI Brasil sobre o Estado da Qualidade do Ar no Brasil, desenvolvido pela diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, e outros pesquisadores apresenta dez condutas necessárias à serem tomadas pelo poder público no combate à poluição:
1. Criar uma política nacional sistêmica de qualidade do ar garantida por lei;
2. Definir um cronograma claro para a execução das próximas fases dos padrões nacionais de qualidade do ar, assim como punições explícitas para o não cumprimento das mesmas;
3. Criar políticas e incentivos que busquem reduzir as assimetrias regionais na gestão de qualidade do ar no país, como o aprimoramento técnico das equipes dos órgãos estaduais de meio ambiente;
4. Fortalecer a ciência de dados por trás das políticas de qualidade do ar, principalmente pela ampliação e pelo aperfeiçoamento do sistema de monitoramento atmosférico nacional, priorizando áreas críticas e uso de novas tecnologias;
5. Alinhar, de forma estratégica, as políticas nacionais de controle de poluentes atmosféricos e de redução de emissões de GEE;
6. Fortalecer sinergias e compatibilização entre políticas de qualidade do ar e políticas estruturantes de planejamento urbano, como o plano diretor e os planos de mobilidade urbana;
7. Promover pesquisas sobre a economia da qualidade do ar e a análise de implementação de políticas públicas, incluindo desafios de governança;
8. Promover pesquisas sobre a interface entre a qualidade do ar e a desigualdade socioeconômica no Brasil;
9. Desenvolver políticas regionais e nacionais para gestão de queimadas e prevenção aos riscos à saúde; e
10. Incluir de forma mais equitativa representantes da sociedade civil e do setor de saúde na governança da qualidade do ar, com poderes de decisão e participação plena equivalentes aos representantes do meio ambiente
Ações individuais para combater a poluição atmosférica
  1. Participar das decisões políticas que envolvem a pauta ambiental
Pensando em colaborar com as ações propostas na primeira lista, é essencial participar do debate público acerca do tema da qualidade do ar. Ou seja: exercer a cidadania além do voto. Na prática isso pode ser:
  1. Propor ideias e discutir necessidades a respeito da qualidade do ar na sua região, através de Assembleias do Orçamento Participativo (OP).
  2. Participar de Audiências Públicas relacionadas à qualidade do ar na sua cidade.
  3. Acompanhar o trabalho de um vereador e, assim, fiscalizar o seu comprometimento com a pauta ambiental.
  4. Consultar os Portais de Transparência (da Prefeitura, da Câmara de Vereadores e de Autarquias municipais), para acompanhar as licitações, os gastos e as receitas
  5. Utilizar a ouvidoria pública do governo municipal como um canal de denúncias e/ou sugestões de melhorias para a cidade
  6. entre muitas outras…
  1. Conhecer sobre o assunto e compartilhar esse conhecimento
Para que seja possível se envolver no debate público a respeito da poluição atmosférica, é preciso conhecer e estudar sobre a causa. Assim, você poderá contribuir com profundidade e assertividade nas discussões e, também, compartilhar esse conhecimento com as pessoas ao seu redor. Para tanto, aqui vai uma lista de algumas organizações, documentos e portais sérios que tratam a respeito disso:
4- IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
  1. Cultivar práticas cotidianas que estejam alinhadas com a melhoria da qualidade do ar
Como mencionamos anteriormente, reconhecemos a importância da criação de hábitos mais sustentáveis no dia-a-dia, uma vez que eles tem o poder de criar redes de influência positiva e reflexão sobre o tema. Diante disso, algumas práticas que podem ser repensadas no seu cotidiano são:
  1. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de origem animal. Uma vez que a atividade agropecuária está bastante ligada à poluição do ar. Para saber mais sobre as problemáticas da alimentação ultraprocessada com base em produtos de origem animal, nós indicamos o podcast Prato Cheio do jornal “O Joio e o trigo”.
  2. Comprar produtos diretamente com o produtor. Isso encurta a linha da mercadoria até você, o que pode significar um menor impacto ambiental e também o fortalecimento de vínculos com a comunidade.
  3. Reduzir o uso do carro. O tráfego de automóveis está entre as principais fontes de poluição do ar. Já pensou em trocar em alguns dias da semana o carro pela bike ou caminhada?

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