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5 ações inspiradoras para diminuir a poluição do ar

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5 ações inspiradoras para diminuir a poluição do ar
O que os outros países têm feito para controlar a poluição do ar? Você já se perguntou isso? Nesse artigo, você irá conhecer cinco ações inspiradoras que estão sendo feitas ao redor do mundo.

Por que poluição atmosférica?

A poluição do ar é uma das questões mais importantes do nosso século. Porém, poucos sabem disso. O ar contaminado é motivo de 9 milhões de mortes no mundo todos os anos. Desse número absurdo, pelo menos 51 mil casos acontecem no Brasil. Assim, a Organização Mundial da Saúde listou a poluição atmosférica como pauta prioritária na agenda global. Ou seja, precisamos agir urgentemente para garantir que a Terra seja um lugar habitável não apenas no futuro, mas também no presente.
No artigo de hoje, vamos focar em trazer ações inspiradoras que estão sendo desenvolvidas globalmente. O intuito desse post é vislumbrar possibilidades para o Brasil. Assim como, alimentar a vontade de agir coletivamente. Porém, se você quer saber sobre os principais motivos que tornam a poluição atmosférica um tema urgente, acesse esse outro artigo. Ou ainda, se você estiver interessado em formas de ajudar no controle da qualidade do ar e no combate às mudanças climáticas, leia esse texto (linkar artigo que relaciona os dois temas).

Dito isso, vamos para as ações de combate?

1. Proibição de motores à combustão na Europa para combater a poluição do ar

O programa chamado “Fit for 55” tem como principal meta reduzir as emissões de CO2 em 50% até 2030, comparado com 1990. Para chegar nesse número, a Comissão da União Europeia incluiu nas suas ações a proibição da venda de carros a gasolina e a diesel em 2035. Ou seja, só poderão ser vendidos carros elétricos ou a células de combustível a hidrogênio na Europa.
Porém, ainda podem existir mudanças nas datas. Por exemplo, se os fabricantes não atingirem a meta é possível estender o prazo. Contudo, a decisão de reduzir as emissões em mais da metade já é um assunto encerrado. O que ainda está em aberto é a maneira que isso vai acontecer.
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2. Fim das termelétricas para controlar os poluentes atmosféricos

Em 2017, diversas empresas de energia da Europa se comprometeram a não construir mais termelétricas depois de 2020. Nesse caso, a Eurelectric, associação do ramo de eletricidade, assinou o acordo em nome de 3.500 empresas do setor. Apenas Polônia e Grécia ficaram de fora.
Além disso, o grupo também se comprometeu a oferecer energia neutra até 2050. Entretanto, para isso, é preciso muito mais do que proibir a construção de novas termelétricas. Para cumprir as metas de redução de emissões, a indústria carvoeira tem até 2030 para ser completamente substituída por fontes sustentáveis.
Por outro lado, no Brasil, essa pauta sofreu retrocesso no começo deste ano. Um projeto de lei que prorroga os contratos de usinas termelétricas instaladas em Santa Catarina foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro. A prorrogação será de 15 anos e começará a partir de janeiro de 2025. Ou seja, até 2040 ainda teremos usinas a pleno vapor por aqui.
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3. Zonas livres de emissões para promover qualidade do ar

A principal fonte da poluição do ar nas cidades é o transporte rodoviário. De acordo com essa pesquisa realizada por um grupo de cientistas da FMUSP e coordenação de Paulo Hilário Saldiva, um dos médicos embaixadores do Instituto Saúde e Sustentabilidade, 90% dos poluentes em São Paulo derivam dos veículos. Do outro lado do mundo esse cenário é semelhante. Por exemplo, em Londres, a poluição atmosférica é tão expressiva que esse ano atingiu níveis maiores que a cidade de Pequim.
Nesse cenário, a Inglaterra tem direcionado seu foco para melhorar a qualidade do ar. Uma das ações foi implementar zonas livres de emissão na cidade de Oxford. Ou seja, em algumas ruas centrais somente veículos que não poluem a atmosfera podem circular, como os elétricos. O objetivo é tornar todo o centro de Oxford uma zona livre, até 2035. Essa medida pode diminuir em até 75% os níveis de dióxido de nitrogênio, um dos poluentes presente na fumaça dos carros e associado a piora na saúde humana.
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4. Zonas de Ultrabaixa emissões para educar a população à respeito da poluição do ar

Diferente das zonas livres de emissões implementadas em Oxford, as zonas de ultrabaixa emissões tem alguma tolerância para veículos a gasolina e a diesel. Entretanto, existem outras regras para desestimular o uso de automóveis. Por exemplo, exige-se que os motoristas atendam a padrões veiculares específicos ou paguem uma tarifa diária.
Atualmente, as ULEZ (sigla em inglês para zonas de ultrabaixa emissão) estão implementadas em todo centro de Londres. Elas servem como um incentivo para que os residentes façam escolhas mais limpas, quando se trata de transporte. Caso contrário, os motoristas que não respeitam os padrões, devem pagar entre £ 12,50 e £ 100 para dirigir na área de 21 quilômetros quadrados que cobre o centro de Londres. Inclusive, no último ano, a área de cobertura da ULEZ foi expandida para 360 quilômetros quadrados, ao acrescentar outras vias principais da cidade.
Importante ressaltar que essa medida tem como foco tanto o combate às mudanças climáticas, como uma garantia de justiça social. Isso porque, a poluição atmosférica impacta especialmente pessoas pobres e não-brancas. Nesse sentido, a implementação da ULEZ tem como premissa tornar Londres um lugar mais equânime e equilibrado ecologicamente.
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5. Ônibus movido a hidrogênio para filtrar os poluentes atmosféricos

Novas tecnologias como ônibus movido a hidrogênio também são uma alternativa. Nesse caso, o único resíduo gerado é a água da reação química do hidrogênio com o oxigênio do ar. Esse processo é responsável por produzir a eletricidade que abastece o ônibus. Ou seja, não há emissão de poluentes. Além disso, há um benefício extra que é a redução do nível de óxido de nitrogênio prejudicial no ar.
Essa ação já foi implementada em Londres, no ano passado, pelo prefeito Sadiq Khan. Atualmente, esse hidrogênio é produzido na fábrica da Air Liquide, em Runcorn, a partir dos resíduos de uma fábrica industrial de cloro e álcali. A Ryze Hydrogen, sediada em Oxford, é responsável pelo transporte de combustível até o posto de abastecimento. Entretanto, a partir de 2023 essa tecnologia será ainda mais verde, pois o hidrogênio será produzido por eletrólise, através de uma conexão direta a um parque eólico.
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Conclusão

Finalmente, existem diversas medidas que podem ajudar no combate às mudanças climáticas. Entretanto, no Brasil, ainda estamos estagnados nesse sentido. O principal motivo é a falta de investimento e, consequentemente, de pesquisa e produção de conhecimento na área. Sem os dados da qualidade do ar, não existe base para a implementação de mudanças. Portanto, a nossa urgência é tornar esse tema mais presente no debate público. Afinal, as pessoas precisam saber qual é o estado da qualidade do ar do próprio país. Assim, ações cabíveis podem ser tomadas como as que foram citadas acima.
O Instituto Saúde e Sustentabilidade é pioneiro em tratar questões ambientais e seus impactos na saúde. Portanto, se esse assunto te move, convidamos você a conhecer mais sobre o nosso trabalho nesse link. Você será direcionado para a nossa página de publicações científicas a respeito desse tema. Além disso, contamos com um blog que reúne artigos mais simples como esse. Se quiser nos acompanhar e ficar sempre ligado nos nossos conteúdos, nos siga no Instagram e no Facebook.
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