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Qual é a qualidade do ar que respiramos?

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Qual é a qualidade do ar que respiramos?

Nesse artigo você irá entender o básico sobre qualidade do Ar no Brasil: como é feita a classificação do Ar, qual é a situação atual, quais são os principais desafios para alcançar bons padrões e as possíveis soluções para isso.

Introdução

Infelizmente essa é uma pergunta que poucos brasileiros saberão responder. Isso porque apenas 1,6% das cidades no Brasil conhecem o ar que respiram. Essa situação é reflexo, principalmente, do baixo investimento em pesquisa na área, que impede avanços na melhoria da qualidade do ar.

Mas, por que falar do ar é tão importante? Por que conhecer sobre os índices do ar, suas problemáticas e possíveis soluções é urgente?

Basicamente, porque a poluição atmosférica é a questão ambiental mais letal para a humanidade atualmente. Apenas no Brasil, ela é responsável por 51 mil mortes anuais, de acordo com relatório publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em nível global, esse número é ainda pior. Estima-se que o ar contaminado cause a morte prematura de 7 milhões de pessoas.

Diante disso, neste artigo vamos explorar conceitos básicos que envolvem a qualidade do ar. Além disso, trataremos sobre a situação da poluição no Brasil e quais são os principais desafios para alcançarmos os padrões de qualidade sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que é o Índice de Qualidade do Ar (IQA)?

Antes de responder essa pergunta, é interessante definir o que é um poluente atmosférico. O conceito mais utilizado é:

“Uma substância presente no ar que, em função da sua quantidade, pode tornar o ar impróprio para a saúde dos humanos e de outras espécies. Além disso, pode ser inconveniente para o bem-estar e segurança pública.”

Entre as principais substâncias reconhecidas por afetarem a saúde da população está, por exemplo, o material particulado (MP). No caso do MP, existem variações de tamanho, sendo alguns mais finos que outros. Quanto mais fino o material, maior a sua letalidade. Isso porque, a depender da sua espessura, ele pode penetrar profundamente no corpo através da corrente sanguínea. Essa interação pode causar problemas cardiovasculares, cerebrovasculares (AVC) e respiratórios.

Diante dos impactos negativos dessas substâncias na saúde, foram estabelecidos limites para cada composto. Esses limites são usados como parâmetros para definir qual é a qualidade do ar de um território. Dessa forma, o índice de qualidade do ar é um produto que envolve a interação dos níveis de concentração de poluentes, a topografia e as condições meteorológicas do local em um certo intervalo de tempo. A partir desse cálculo, a qualidade irá se encaixar em boa, regular, inadequada, ruim e péssima.

Como o Índice de Qualidade do Ar é classificado?

O IQA é quantificado entre 0 e 300. Um valor elevado significa mais poluição atmosférica e, com isso, mais problemas na saúde da população. Assim, para facilitar as ações de gestão da qualidade do ar, o índice é dividido em cinco categorias:

  1. Boa

Entre 0 e 50. A qualidade do ar é satisfatória e apresenta pouco ou nenhum risco para a saúde da população.

  1. Regular

Entre 51 e 100. A qualidade do ar é aceitável, porém as concentrações de poluentes podem causar impactos moderados à saúde de indivíduos com extrema sensibilidade ao ozônio e ao material particulado, por exemplo.

  1. Inadequada

Entre 101 e 199. Grupos de risco como crianças, idosos, pessoas com doenças pulmonares e cardíacas podem ser afetados. Porém, não a população em geral.

  1. Ruim

Entre 200 e 299. Toda a população começa a sentir os efeitos na saúde.

  1. Péssima

Acima de 300. Todos podem experimentar os mais graves efeitos na saúde, por isso, deve ser dado um aviso à população.

Qual é a situação do ar no Brasil?

No episódio “184: Nós e a Terra” do podcast “Quem somos nós?”, Celso Loducca entrevista o médico Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP e um dos embaixadores do Instituto Saúde e Sustentabilidade. Durante a entrevista, Saldiva aponta como a cidade de São Paulo pode, em muitos casos, obter um IQA melhor que cidades menores no interior do país. Esse fato demonstra duas coisas sobre a situação do ar no Brasil:

  1. Existe uma grande desigualdade entre o Sudeste e outros Estados na distribuição de equipamentos de monitoramento do ar.
  2. As atividades industriais no interior do país somadas à falta de vontade política em combater a poluição atmosférica resultam em péssimos níveis de qualidade do ar em áreas pouco urbanizadas, como é o caso de São Félix do Xingu (PA).

Na última análise do monitoramento do ar no Brasil do Instituto Saúde e Sustentabilidade, a desigualdade apontada acima foi pior que nos anos anteriores. Na pesquisa, observou-se que somente 1,7% das cidades no Brasil têm conhecimento sobre o ar que respiram. Além disso, a região sudeste concentra 80% dessas cidades. Um número bastante contrastante.

Em relação a poluição atmosférica gerada por atividades industriais no interior do país, destacamos aqui as relacionadas à agropecuária. No caso de São Félix do Xingu, por exemplo, trata-se de uma cidade com cerca de 130 mil habitantes, mas que liderou o ranking de mais poluentes do Brasil em 2021. O município foi responsável por emitir 29,7 milhões de toneladas brutas de CO2 na atmosfera em 2018. Esse índice é resultado do desmatamento e das queimadas na região para abertura de pastos, visto que a cidade tem um dos maiores rebanhos de gado do país.

Quais são os principais desafios para uma boa qualidade do ar no Brasil?

Em primeiro lugar, é preciso conhecer o ar que respiramos. Só é possível fazer a gestão da qualidade do ar no Brasil, se tivermos dados sobre a nossa atmosfera. Assim, a distribuição de equipamentos de monitoramento para medir o IQA das regiões é essencial. Mas isso não é tudo. É preciso capacitar gestores públicos e investir em pesquisa, para que tenhamos profissionais capazes de desempenhar o trabalho necessário.

Outro desafio importante para o nosso país é comunicar a população sobre os dados coletados do ar que respiramos. É direito da população ter acesso a informações como essa, pois são de interesse particular e coletivo. A partir desse conhecimento, as pessoas podem ser motivadas a participar da busca por soluções.

Conclusão

Afinal, precisamos atuar por caminhos diversos para garantir um ar de qualidade e um meio ambiente em equilíbrio. Esses caminhos podem acontecer tanto na esfera coletiva, como em certas ações individuais. Entre as possibilidades de ações conjuntas, podemos destacar uma iniciativa do Instituto Saúde e Sustentabilidade, o Médicos Pelo Ar Limpo.

Essa iniciativa reconhece a força que podemos encontrar na união de pessoas com o mesmo interesse: construir um presente e um futuro que a vida no planeta Terra não seja apenas possível, mas boa de se viver. No caso, o Médicos Pelo Ar Limpo resultou da aproximação entre entidades e profissionais da medicina para mostrar a urgência dos impactos da poluição do ar e as consequências da mudança do clima na saúde humana e vida na Terra.

Os Médicos Pelo Ar Limpo defendem, especialmente, a instituição da Política Nacional de Qualidade do Ar, que apoiará ações de redução, controle e monitoramento de emissões em todo o território. Como também a urgente implementação do Acordo de Paris, que é o principal compromisso global em defesa da descarbonização do planeta na tentativa de frear a crise climática e o aumento da temperatura na Terra.

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