A mudança climática deixou de ser uma preocupação distante para se tornar uma realidade presente na vida da população. Uma pesquisa realizada pelo Aurora Lab e pela More in Common revelou que 85% dos brasileiros e das brasileiras já perceberam impactos da mudança climática em seu dia a dia, e quase metade (46%) considera esses efeitos intensos.
Os dados reforçam um cenário cada vez mais evidente: os impactos da crise climática já afetam a saúde, a economia, a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas em todo o país.
Os efeitos da crise climática já são sentidos pela população
Segundo o levantamento, brasileiros e brasileiras associam a mudança climática a diversos desafios enfrentados no cotidiano. Entre os impactos mais citados estão:
- Aumento do custo de vida (53%);
- Problemas de saúde física (45%);
- Dificuldades para chegar ao trabalho (40%);
- Impactos na saúde mental (32%);
- Perda de renda (17%);
- Perda de emprego (10%).
Esses números mostram que a mudança climática não se limita a eventos extremos, como enchentes, secas ou ondas de calor. Ela também influencia fatores econômicos e sociais que afetam diretamente o bem-estar da população.
Clima e saúde: uma relação cada vez mais evidente
Os impactos da mudança climática sobre a saúde já são amplamente documentados pela ciência.
O aumento das temperaturas está associado a uma maior incidência de doenças relacionadas ao calor, agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, além de impactos significativos na saúde mental.
Eventos extremos, como enchentes, queimadas e secas prolongadas, também contribuem para o aumento do estresse, da ansiedade e da insegurança entre as populações afetadas.
Além disso, a poluição do ar, um dos principais fatores relacionados à queima de combustíveis fósseis, continua sendo uma das maiores ameaças ambientais à saúde humana, contribuindo para milhões de mortes prematuras todos os anos.
A população reconhece a necessidade de mudanças
A pesquisa mostra que a maioria da população brasileira entende que enfrentar a crise climática exige transformações estruturais.
Cerca de 74% das pessoas entrevistadas afirmam que os atuais modelos de produção e consumo precisam mudar para enfrentar os desafios ambientais.
Esses dados demonstram que existe apoio social para políticas e investimentos voltados à construção de uma economia de baixo carbono.
Informação de qualidade faz diferença
Outro dado relevante do levantamento diz respeito às fontes de informação sobre mudança climática.
Embora 65% das pessoas entrevistadas afirmem buscar informações sobre clima nas redes sociais, universidades e cientistas aparecem como as fontes mais confiáveis para 69% da população.
Esse resultado reforça a importância da comunicação baseada em evidências científicas para combater a desinformação e ampliar a compreensão pública sobre os riscos e as soluções relacionadas à crise climática.
Municípios ainda enfrentam dificuldades para se adaptar
Enquanto a população percebe os impactos da mudança climática, muitos municípios brasileiros ainda enfrentam dificuldades para implementar medidas de adaptação.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que cerca de 2 mil municípios estão expostos a riscos de inundações e deslizamentos. No entanto:
- 75% possuem menos da metade dos instrumentos obrigatórios de gestão de risco;
- 91% ainda não contam com planos de obras para redução de riscos;
- Muitos municípios sequer possuem estrutura adequada de defesa civil.
Esse cenário evidencia a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, adaptação e planejamento urbano para reduzir a vulnerabilidade das populações mais expostas.
A adaptação climática é uma necessidade urgente
Os resultados da pesquisa reforçam uma realidade já percebida por milhões de brasileiros e brasileiras: a mudança climática não é um problema do futuro.
Os impactos já afetam a saúde, a economia, o trabalho e a vida cotidiana da população. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que governos, empresas e sociedade precisam atuar de forma coordenada para enfrentar esse desafio.
Investir em adaptação climática, fortalecer políticas públicas, ampliar o acesso à informação qualificada são passos fundamentais para proteger a população e construir um futuro mais resiliente.
Saiba mais sobre clima, saúde e qualidade do ar
O Instituto Ar desenvolve pesquisas, projetos e iniciativas voltadas à promoção da saúde e ao enfrentamento dos impactos da mudança climática e da poluição do ar.
Acompanhe nossos conteúdos e publicações para entender como a crise climática afeta a vida das pessoas e conhecer soluções baseadas em evidências para construir cidades mais saudáveis e resilientes.



