A crise climática já é uma questão de saúde pública. Seus efeitos aparecem no aumento de eventos extremos, na piora da qualidade do ar, na maior exposição a riscos ambientais e na pressão crescente sobre serviços de saúde. Para a formação médica, compreender essa relação é essencial: médicos e médicas estão cada vez mais diante de situações em que fatores ambientais influenciam diretamente o cuidado, a prevenção e a proteção da vida.

Em 13 de julho de 2025, o Movimento Médicos pelo Clima realizou uma aula na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, conduzida pela Dra. Evangelina Araújo, com o objetivo de ampliar o entendimento sobre os impactos da crise climática na saúde e estimular a atuação dos médicos frente aos desafios ambientais.

Clima, saúde e formação médica

A atividade buscou aproximar estudantes de Medicina de uma discussão que ultrapassa os limites do consultório e do hospital. Mudanças climáticas, poluição do ar, enchentes, ondas de calor e surtos de doenças associados a eventos extremos são temas que exigem respostas integradas entre ciência, assistência, vigilância em saúde, gestão pública e participação social.

Ao inserir essa agenda no ambiente de formação, a aula contribuiu para fortalecer uma compreensão mais ampla do papel médico. Além do diagnóstico e do tratamento, a prática médica também envolve prevenção, comunicação de riscos, orientação à população e defesa de políticas públicas capazes de reduzir danos à saúde.

Uma dinâmica para pensar decisões em situações reais

A aula incluiu a dinâmica “Decisores do Futuro”, uma proposta interativa voltada a estimular o pensamento crítico e a colaboração entre diferentes setores. Nessa atividade, os estudantes são organizados em grupos e convidados a assumir papéis relacionados à saúde pública, ao meio ambiente, ao governo e à comunidade diante de um cenário de enchente e surto de doenças.

A metodologia propõe que cada grupo discuta ações prioritárias, considere impactos e dificuldades, e apresente decisões a partir da perspectiva do setor que representa. O exercício ajuda a demonstrar que os efeitos da crise climática sobre a saúde não são enfrentados por uma única área de atuação. Pelo contrário, exigem articulação entre monitoramento ambiental, organização dos serviços de saúde, comunicação com a população, proteção de grupos vulneráveis e planejamento de políticas públicas.

O médico como agente de proteção da vida

Um dos pontos centrais da dinâmica é reconhecer que médicos e médicas também podem atuar como articuladores em contextos de crise. Em situações como enchentes, contaminação ambiental, aumento de vetores ou agravamento de doenças respiratórias, a resposta em saúde depende tanto da assistência clínica quanto da capacidade de orientar a população, identificar riscos, colaborar com equipes interdisciplinares e defender medidas preventivas.

Essa abordagem amplia o horizonte da formação médica. Ao discutir clima e saúde com estudantes, o Movimento Médicos pelo Clima reforça que a proteção da vida passa também pela compreensão dos determinantes ambientais da saúde e pela atuação coletiva diante de problemas complexos.

Educação para enfrentar desafios ambientais

A presença da Dra. Evangelina Araújo na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo reforça a importância de levar a agenda de clima e saúde para espaços de ensino. A atividade contribuiu para sensibilizar futuros profissionais sobre os impactos da crise climática na saúde humana e sobre a necessidade de respostas baseadas em evidências, cooperação intersetorial e compromisso público.

Ao promover esse diálogo com estudantes de Medicina, o Movimento Médicos pelo Clima fortalece uma dimensão essencial de sua atuação: formar, informar e mobilizar profissionais de saúde para que reconheçam a crise climática como um desafio concreto para a prática médica e para a defesa da saúde coletiva.

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