Nos dias 30 e 31 de outubro de 2024, Manaus recebeu o 2º Encontro Monitoramento do Ar na Amazônia, uma iniciativa dedicada a fortalecer a coleta de dados, o uso de tecnologias acessíveis e a articulação entre instituições que atuam pela qualidade do ar na Amazônia Legal.
O evento foi organizado pelo Instituto Ar, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e pela Universidade do Estado do Amazonas, com apoio estratégico da Coalizão Respira Amazônia. A programação reuniu especialistas, gestores públicos, universidades, organizações da sociedade civil e representantes locais em torno de um desafio comum: ampliar o monitoramento da qualidade do ar em uma região extensa, diversa e diretamente afetada por queimadas e mudanças climáticas.
Monitorar o ar para proteger vidas
A Amazônia Legal enfrenta uma lacuna histórica de dados sobre qualidade do ar. Em muitos territórios, a ausência de equipamentos de referência dificulta a compreensão precisa dos níveis de exposição da população à fumaça e a outros poluentes. Essa falta de informação compromete a formulação de políticas públicas e limita a capacidade de resposta em períodos de crise.
O encontro discutiu caminhos para enfrentar esse desafio com a combinação de ciência, tecnologia e ação em rede. Entre os temas abordados estiveram sensores de baixo custo, integração de dados, impactos da poluição atmosférica sobre a saúde e o meio ambiente, queimadas, expansão agropecuária e prioridades estratégicas para a atuação da Coalizão Respira Amazônia em 2025.
Coalizão Respira Amazônia e atuação em rede
O 2º Encontro também marcou a apresentação pública de avanços da Coalizão Respira Amazônia, uma rede intersetorial e independente dedicada a fortalecer o monitoramento da qualidade do ar na Amazônia Legal. A Coalizão defende que a poluição atmosférica seja compreendida e enfrentada como questão de saúde pública, apoiando a coleta, análise e disseminação de dados sobre poluição do ar com tecnologias inovadoras e acessíveis.
Em 2024, a Coalizão se consolidou por meio de ações de articulação e mobilização entre gestores públicos, pesquisadores e organizações da sociedade civil. O encontro em Manaus reuniu a rede em um espaço de troca qualificada, contribuindo para aproximar órgãos ambientais, universidades, comunidades e instituições de saúde em torno de uma agenda comum.
Conhecimento técnico e compromisso público
Durante o evento, foi lançado o policy brief “Desafios e perspectivas do monitoramento da qualidade do ar na Amazônia Legal: uma visão integrada entre tecnologias, contextos socioambientais e políticas públicas”. O documento apresenta desafios técnicos, institucionais e socioambientais da região, além de recomendações para fortalecer políticas públicas e aprimorar tecnologias de monitoramento.
Também foi lançado o site da Coalizão Respira Amazônia, uma plataforma criada para divulgar iniciativas, materiais produzidos e atividades da rede. A nova ferramenta amplia a visibilidade da agenda e facilita o acesso a informações sobre qualidade do ar na região.
Saúde como eixo da discussão
Um dos pontos centrais do encontro foi a conexão entre monitoramento ambiental e saúde pública. No segundo dia, uma mesa discutiu os impactos da qualidade do ar na saúde da população e o papel dos dados para apoiar respostas aos efeitos da poluição por fumaça. A mediação foi conduzida pela Dra. Evangelina Araújo, diretora executiva do Instituto Ar, que apresentou a iniciativa hoje denominada Médicos pelo Clima.
Ao aproximar monitoramento, saúde e políticas públicas, o encontro reforçou que dados ambientais só ganham pleno sentido quando ajudam a proteger pessoas, territórios e modos de vida.



