No Dia Internacional das Mulheres, mais do que celebrar, é fundamental reconhecer e dar visibilidade às mulheres que estão na linha de frente da defesa ambiental e da justiça climática no Brasil. É nesse contexto que o projeto Filhas da Mãe do Fogo se torna símbolo de resistência, cuidado e transformação social na Amazônia.
Como surgiu o projeto
O Filhas da Mãe do Fogo nasce da escuta e da vivência de mulheres marajoaras que convivem diariamente com os impactos das queimadas, dos conflitos territoriais e da ausência de políticas públicas estruturantes.
A iniciativa parte do reconhecimento de que são essas mulheres — ribeirinhas, quilombolas, agricultoras, lideranças comunitárias — que historicamente sustentam a vida nos territórios, articulando saberes ancestrais e estratégias de sobrevivência em meio a contextos de vulnerabilidade.
O projeto foi estruturado para fortalecer essa base feminina, promovendo formação, articulação comunitária e valorização do conhecimento tradicional.
O significado da “Mãe do Fogo”
O nome do projeto carrega um simbolismo profundo. A Mãe do Fogo é uma lenda marajoara que representa proteção do território e respeito à natureza.
Na tradição oral, ela surge como guardiã das florestas, sinalizando que aquele espaço tem dono, é sagrado e deve ser respeitado. A lenda ensina que proteger a natureza é proteger a própria vida.
Ao se autodenominarem “Filhas da Mãe do Fogo”, essas mulheres assumem esse legado simbólico: o de guardiãs do território, defensoras da floresta e multiplicadoras de consciência ambiental.
Objetivos e impacto
O projeto tem como objetivo fortalecer a capacidade de comunidades tradicionais, especialmente mulheres, para prevenir, monitorar e enfrentar incêndios florestais e queimadas descontroladas.
Entre seus principais focos estão:
- Fortalecimento do protagonismo feminino nas decisões comunitárias
- Valorização dos saberes intergeracionais sobre o manejo do fogo
- Formação em técnicas de prevenção e manejo integrado
- Construção de redes de apoio entre mulheres de diferentes territórios
Ao reconhecer que o fogo no Marajó não pode ser analisado apenas como problema, mas também como parte da dinâmica histórica e cultural das comunidades, o projeto propõe soluções que respeitam a realidade local e promovem práticas sustentáveis.
Mulheres e conservação: uma relação inseparável
As mulheres do Marajó não apenas sofrem os impactos das queimadas, elas lideram alternativas. Elas estão articulando redes comunitárias e, cada vez mais, assumindo espaços de liderança.
Em um cenário de aumento das queimadas na região, fortalecer mulheres significa fortalecer a proteção ambiental, a segurança alimentar e a resiliência climática.
No Dia das Mulheres, olhar para o Filhas da Mãe do Fogo é reconhecer que:
- Justiça climática passa por equidade de gênero.
- Mulheres organizadas transformam territórios.
Celebrar essas mulheres é afirmar que a conservação da Amazônia depende diretamente de quem vive nela e que investir em liderança feminina é investir em futuro.









