Nos dias 9 e 10 de novembro de 2023, Brasília recebeu o Encontro Monitoramento do Ar na Amazônia, uma iniciativa dedicada a aproximar instituições, pesquisadores, gestores públicos e organizações da sociedade civil em torno de um desafio comum: ampliar a capacidade de monitorar a qualidade do ar na Amazônia Legal.
O encontro foi realizado em um contexto de crescente preocupação com os efeitos das queimadas, da seca e da poluição atmosférica sobre a saúde das populações amazônicas. Em uma região extensa e diversa, a ausência de equipamentos oficiais de referência em muitos territórios dificulta a produção contínua de dados, o acompanhamento de episódios críticos e a formulação de respostas públicas mais rápidas e eficazes.
Monitoramento como ferramenta de proteção
Monitorar a qualidade do ar é um passo fundamental para compreender riscos e orientar políticas públicas. Sem dados, torna-se mais difícil identificar áreas de maior exposição, comunicar alertas à população, planejar ações de prevenção e avaliar os impactos da fumaça e de outros poluentes sobre a saúde.
O encontro discutiu especialmente o uso de sensores de baixo custo, tecnologia que pode ampliar a cobertura de monitoramento e apoiar iniciativas locais em territórios onde os equipamentos tradicionais ainda são insuficientes. Essa abordagem não substitui a necessidade de políticas públicas estruturadas, mas pode fortalecer redes de informação e tornar os dados mais acessíveis a gestores, pesquisadores e comunidades.
Amazônia, queimadas e saúde pública
A pauta da qualidade do ar na Amazônia exige uma visão integrada. A fumaça das queimadas não representa apenas um problema ambiental; ela afeta a respiração, agrava doenças, aumenta vulnerabilidades e compromete a qualidade de vida. Crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e comunidades em áreas de maior exposição estão entre os grupos que mais precisam de proteção.
Ao reunir representantes de diferentes estados da Amazônia Legal, o evento contribuiu para mapear desafios, compartilhar experiências e construir caminhos de cooperação. Participaram do encontro a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva, pesquisadores, técnicos ambientais, gestores públicos, representantes do Ministério Público e organizações da sociedade civil, fortalecendo uma agenda que depende de articulação multissetorial.
Construção de rede e continuidade
Um dos principais resultados do encontro foi o fortalecimento de conexões entre instituições interessadas no monitoramento da qualidade do ar. A experiência pioneira desenvolvida no Acre, baseada em sensores de baixo custo, foi apresentada como referência para ampliar a discussão e inspirar outras iniciativas na região.
A agenda também apontou para a necessidade de continuidade. A criação de uma rede colaborativa, com participação de diferentes atores, é essencial para transformar experiências locais em políticas mais consistentes e sustentáveis. Nesse processo, o Instituto Ar atua para aproximar ciência, saúde, meio ambiente e incidência pública.





