O setor de transportes é um dos maiores desafios ambientais da atualidade e o transporte rodoviário lidera esse impacto. Ele responde por cerca de três quartos das emissões do setor e consome aproximadamente 45% do petróleo mundial, segundo a Agência Internacional de Energia.
No Brasil, o cenário combina risco e oportunidade. Enquanto a frota de veículos leves segue majoritariamente dependente de combustíveis fósseis, o país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo: em 2023, 87% da eletricidade foi gerada por fontes renováveis, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética.
Esse contexto coloca a eletrificação da frota como uma estratégia central para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Mas até que ponto essa transição é viável? E quanto ela pode contribuir para as metas climáticas brasileiras?
Essas perguntas orientaram um estudo conduzido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, publicado na revista Transportation Research Part D.
Cinco cenários para o futuro da frota brasileira
O estudo analisou cinco cenários de eletrificação até 2050, de uma transição lenta a uma transformação estrutural.
Os resultados mostram que a redução acumulada de emissões pode variar entre 7,5% e 25,5%, dependendo da velocidade da transição e das políticas públicas implementadas.
- Cenário conservador: 65% da frota ainda a combustão em 2050 → redução de 7,5%.
- Progresso moderado: redução de 9,6%.
- Integração estratégica com etanol e híbridos flex: até 21,3%.
- Cenário ambicioso: 30% da frota totalmente elétrica → 25,5%.
- Eliminação total de combustão até 2050 (simulação extrema): 47,3%.
Os dados mostram que o ritmo da transição faz toda a diferença e que decisões políticas tomadas hoje moldarão as emissões das próximas décadas.
Eficiência energética: por que eletrificar?
A eletrificação também transforma o consumo energético:
- Veículos elétricos convertem 77% a 91% da energia em movimento.
- Veículos a combustão aproveitam apenas 12% a 30%.
Mesmo com aumento no consumo de eletricidade, o sistema como um todo se torna mais eficiente, especialmente em um país com matriz majoritariamente renovável.
Caminhões pesados: o outro lado da transição
Se os veículos leves são estratégicos, o transporte de carga também é decisivo para o futuro climático do país.
Em 2025, o Instituto Ar publicou o relatório Powering Brazil’s Transition to Zero-Emission Trucking, que analisa o potencial da eletrificação do setor de caminhões pesados no Brasil.
O estudo destaca que a transição para caminhões de emissão zero representa uma oportunidade crucial para:
- Reduzir emissões de gases de efeito estufa
- Melhorar a qualidade do ar
- Diminuir a exposição a poluentes associados a doenças respiratórias e cardiovasculares
- Promover ganhos econômicos e inovação industrial
A publicação apresenta estudos de caso internacionais, quantifica impactos ambientais e econômicos e oferece recomendações práticas para apoiar tomadores de decisão, setor privado e formuladores de políticas públicas.
Ao integrar eletrificação de veículos leves e pesados, o Brasil pode ampliar significativamente seu potencial de descarbonização e gerar benefícios diretos à saúde pública.
Baixe o relatório sobre caminhões de emissão zero
Quer entender em detalhes como a eletrificação do transporte de cargas pesadas pode transformar o Brasil?
O relatório Powering Brazil’s Transition to Zero-Emission Trucking, do Instituto Ar, reúne dados técnicos, análises econômicas e recomendações estratégicas para acelerar essa transição.
Faça o download gratuito do estudo e conheça os caminhos para um transporte mais limpo e saudável.