Instituto Ar - Imagem_Notícias_Estudo inédito revela que eletrificação de caminhões pode reduzir R$ 5 bilhões em custos ambientais e de saúde

A eletrificação da frota de caminhões pesados no Brasil é o caminho mais eficiente para reduzir emissões e custos associados à poluição. De acordo com estudo inédito conduzido pelo Instituto Ar, a substituição progressiva dos veículos a diesel por caminhões elétricos pode resultar em uma redução de 46% das emissões de gases de efeito estufa até 2050 e gerar uma economia de R$ 5 bilhões em custos ambientais e de saúde pública.

Os resultados mostram um contraste significativo em relação a outras alternativas. Caminhões híbridos a diesel proporcionam uma queda de apenas 8% nas emissões, com impacto econômico de R$ 298 milhões. Já veículos movidos a gás natural e biodiesel apresentam saldo negativo, com aumento das emissões líquidas e maiores custos ao longo do tempo.

Para chegar a esses resultados, o estudo analisou diferentes cenários de substituição dos caminhões pesados a diesel por tecnologias mais limpas em São Paulo, com projeções até 2030 e 2050 — anos-chave nos compromissos internacionais do Brasil para reduzir emissões. O foco nos caminhões pesados se explica porque eles consomem mais energia e respondem por quase metade das emissões de CO₂ do transporte. Foram avaliadas alternativas como veículos elétricos a bateria e a hidrogênio, híbridos a diesel, modelos a gás natural e a biodiesel puro.

Como o estudo foi feito

As pesquisadoras simularam diferentes cenários de substituição dos caminhões pesados a diesel por tecnologias mais limpas, como elétricos e a hidrogênio. Elas calcularam o impacto tanto na redução de poluentes quanto nos custos para a saúde e o meio ambiente até 2030 e 2050, prazos definidos em acordos internacionais.

O biodiesel, em especial, representa um risco para a sustentabilidade. Para suprir a demanda do transporte pesado até 2050 com biodiesel puro (B100), seriam necessários cerca de 215 milhões de hectares de terras agrícolas – mais de 25% do território nacional. Esse cenário implicaria desmatamento indireto e pressões adicionais sobre a produção de alimentos, comprometendo a segurança alimentar.

O impacto da poluição do transporte pesado sobre a saúde pública também é alarmante. Entre 2013 e 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de R$ 24 bilhões em despesas hospitalares relacionadas à exposição à poluição atmosférica, especialmente material particulado fino (PM2,5) e óxidos de nitrogênio (NOx) provenientes da queima de diesel. As doenças mais associadas incluem câncer do sistema respiratório, enfermidades cardiovasculares e respiratórias, diabetes e acidentes cerebrovasculares. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, assim como populações de baixa renda que vivem próximas a rodovias, centros logísticos e áreas portuárias.

Para a pesquisadora Patrícia Ferrini, líder do estudo, as conclusões não deixam dúvidas: “O enfrentamento das mudanças climáticas exigirá a transição energética do setor de transportes, portanto este é o momento de conciliar a redução de emissões com ganhos para a saúde pública”.

A eletrificação, além de alinhar o país às metas internacionais de descarbonização, desponta como a alternativa mais limpa, segura e economicamente vantajosa para o Brasil.

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