As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI e afetam diretamente o mundo do trabalho. O aumento da temperatura média global e a intensificação das ondas de calor ampliam a exposição dos trabalhadores ao estresse térmico, com repercussões relevantes sobre a saúde física e mental e a capacidade produtiva. Este artigo discute as evidências científicas acerca dos impactos das ondas de calor na saúde dos trabalhadores e discute os mecanismos fisiológicos envolvidos, as consequências clínicas, os efeitos sobre a produtividade e as implicações econômicas para as empresas e as cadeias produtivas. Também são discutidas políticas públicas e normas técnicas relacionadas ao controle da exposição ocupacional ao calor, com ênfase no contexto brasileiro. Evidências globais indicam perdas recordes de horas de trabalho em decorrência do calor e impactos econômicos crescentes, demonstrando que a adaptação às temperaturas elevadas constitui, simultaneamente, uma medida de proteção à saúde e uma estratégia de sustentabilidade operacional. Conclui-se que o reconhecimento do calor como risco ocupacional estrutural e sua incorporação à gestão empresarial e às políticas públicas são essenciais para proteger os trabalhadores e assegurar a resiliência econômica em um cenário climático progressivamente mais quente.