A relação entre mudanças climáticas, saúde e condições de trabalho foi tema do seminário “Impactos das Mudanças Climáticas na Saúde do Servidor”, realizado no dia 7 de outubro na Prefeitura de São Paulo. O encontro, promovido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA), Secretaria de Governo Municipal da Prefeitura de São Paulo e a Secretaria Municipal de Gestão (SEGES), em parceria com o Instituto Ar e o Movimento Médicos pelo Clima, reuniu representantes do poder público e especialistas para discutir medidas de prevenção e proteção à saúde diante dos eventos climáticos extremos.
O Instituto Ar participou da programação com a presença de sua diretora-executiva, Evangelina Araújo, médica patologista clínica e embaixadora do Movimento Médicos pelo Clima, que abordou os riscos das mudanças climáticas para a população e trabalhadores(as), especialmente aqueles(as) que já apresentam condições de saúde que exigem maior atenção. “As mudanças climáticas refletem seus efeitos no corpo humano, na saúde mental e na rotina de trabalho das pessoas. E é sobre isso que viemos tratar aqui hoje”, destacou Evangelina.
O seminário integrou a programação da Prefeitura de São Paulo dedicada ao mês do servidor público.
Mudanças climáticas e saúde do trabalhador e da trabalhadora
Durante sua participação, Evangelina Araújo chamou atenção para a importância de considerar as condições de saúde na organização das atividades profissionais, principalmente em períodos de temperaturas elevadas: “muitas pessoas já têm comorbidades, então é preciso que os gestores conheçam essas situações e saibam dos riscos para fazer as melhores organizações do trabalho em suas rotinas”, afirmou.
A discussão também contou com a participação do médico do trabalho Octávio Oliveira e de Valéria Pugliese, coordenadora de Gestão de Saúde do Servidor da Secretaria Municipal de Gestão (Seges), em uma mesa dedicada às ondas de calor e à saúde de trabalhadores e trabalhadoras.
Na abertura do encontro, o secretário-executivo de Mudanças Climáticas, Renato Nalini, destacou a importância do envolvimento dos servidores e das servidoras nas ações de adaptação às mudanças climáticas: “é muito importante que tenhamos nossos servidores envolvidos nesse debate, pois tanto no trabalho quanto na vida como cidadão paulistano, todos temos de nos adaptar e colaborar”, afirmou.
Prefeitura apresenta medidas de prevenção e adaptação
Durante o seminário, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) apresentou medidas e programas adotados para reduzir os impactos das alterações climáticas sobre a população e os profissionais da rede pública.
Entre as iniciativas está o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (Pavs), integrado à Estratégia Saúde da Família (ESF), que desenvolve ações de preservação socioambiental e promoção de territórios mais saudáveis.
A secretaria também destacou o trabalho de vigilância em saúde ambiental, incluindo o Vigiar, programa de monitoramento dos impactos da poluição e dos fatores atmosféricos sobre a saúde da população.
Outro ponto abordado foi o enfrentamento das arboviroses, como a dengue, cujo risco tende a aumentar em períodos de temperaturas elevadas e chuvas intensas.
Segundo o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, a Prefeitura tem utilizado novas tecnologias para ampliar o monitoramento e o controle de focos do mosquito transmissor, incluindo drones para identificação de criadouros e aplicação de larvicidas em locais de difícil acesso.
Até 27 de setembro, haviam sido realizadas 6,4 milhões de ações de prevenção e controle na capital, entre visitas domiciliares, eliminação de criadouros, bloqueios, nebulização e aplicação de larvicidas.
Proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras durante períodos de calor extremo
A adaptação das condições de trabalho às altas temperaturas também esteve entre os assuntos discutidos.
A Secretaria Municipal da Saúde apresentou medidas previstas no PlanClima SP para proteger os profissionais e organizar a resposta aos eventos climáticos extremos.
As iniciativas estão distribuídas em três frentes: protocolos de prevenção e resposta rápida, fornecimento de equipamentos de proteção e reorganização das atividades profissionais.
O Protocolo Municipal de Enfrentamento ao Calor Extremo prevê medidas a partir de temperaturas iguais ou superiores a 32 °C. Também foram apresentadas ações para períodos de calor intenso e baixa umidade, previstas na portaria conjunta nº 629/2024, da SMS e da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads).
Para profissionais que atuam em campo, estão previstos equipamentos como protetores solares e chapéus com proteção UV, além da instalação de bebedouros industriais nas Unidades de Vigilância em Saúde (Uvis).
A reorganização das agendas e das atividades externas busca reduzir a exposição direta ao sol nos horários de maior calor. A secretaria também informou que vem modernizando os sistemas de climatização das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e de outros equipamentos da rede.
Prevenção e cuidado com a saúde diante dos eventos extremos
O seminário também abordou a importância da prevenção de doenças e da proteção de diferentes grupos da população. “O calor causa efeitos sobretudo na população mais vulnerável, como mulheres, crianças, idosos e moradores da periferia”, afirmou a dra. Evangelina Araújo.
O pediatra e infectologista Renato Kfouri destacou a necessidade de atenção integral à saúde das crianças, incluindo vacinação, alimentação saudável, hidratação e cuidados com a saúde mental.
A secretária municipal de Gestão, Marcela Arruda, apresentou iniciativas da Prefeitura relacionadas à sustentabilidade e à redução da poluição, como a ampliação da frota de ônibus elétricos, a manutenção de parques e hortas urbanas e a adoção de critérios sustentáveis nas compras públicas.
Ao reunir diferentes secretarias e especialistas, o encontro permitiu discutir medidas já adotadas pela administração municipal e os cuidados necessários para proteger a saúde dos servidores, das servidoras e da população.
A participação do Instituto Ar levou ao debate a atenção às vulnerabilidades individuais e à necessidade de considerar os riscos climáticos na organização do trabalho, especialmente diante da exposição ao calor extremo.









