O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) pretende criar três novos laboratórios para ampliar sua capacidade de monitoramento no Brasil. Os projetos incluem estruturas dedicadas ao acompanhamento das chuvas, estudos de geotecnia e geovisualização.
As informações foram apresentadas pela diretora do Cemaden, Regina Alvalá, em entrevista ao R7 Planalto. O orçamento para o projeto já foi liberado e a próxima etapa será a adequação da infraestrutura do Centro.
A previsão é que os três laboratórios sejam entregues em até quatro anos, embora a expectativa seja iniciar parte das atividades antes da conclusão desse prazo.
Novo laboratório vai acompanhar volumes de chuva
Um dos projetos será dedicado ao acompanhamento das chuvas. Segundo o Cemaden, será o primeiro laboratório desse tipo na América Latina e permitirá gerar informações sobre precipitações de até 300 milímetros.
O monitoramento das chuvas faz parte do trabalho necessário para acompanhar situações que podem representar riscos para diferentes regiões.
Além dessa estrutura, o Cemaden terá um laboratório de geotecnia, destinado a pesquisas e simulações relacionadas a deslizamentos de terra.
“Para dispomos de dados para novas pesquisas, teremos também um laboratório de geotecnia, para fazer estudos de simulações, olhando todos os processos associados a deslizamentos de terra”, explicou Regina Alvalá.
Geovisualização será utilizada para simular deslizamentos
O terceiro laboratório será voltado à geovisualização. A tecnologia permitirá realizar simulações de deslizamentos de terra e também será utilizada na capacitação das defesas civis.
A possibilidade de reproduzir situações de risco pode contribuir para o treinamento das equipes responsáveis pela atuação em desastres naturais e para a preparação das ações de resposta.
Os três laboratórios ampliam as ferramentas disponíveis para monitoramento, pesquisa e treinamento, reunindo diferentes frentes relacionadas à prevenção e à resposta a desastres.
Preparação das comunidades também faz parte do trabalho
Além do investimento em infraestrutura e tecnologia, o Cemaden mantém ações voltadas à preparação da população para situações de risco.
Por meio do Programa Cemaden Educação, o Centro desenvolve atividades com diversos agentes.
“Temos o Programa Cemaden Educação, onde trabalhamos nas escolas, com comunidades, professores(as) e defesas civis na construção da percepção do risco. Essas ações permitem que as cidades fiquem mais resilientes e tenham esses agentes de salvaguarda”, afirmou Regina.
Até o momento, o Cemaden realizou nove edições do #aprenderparaprevenir, iniciativa ligada a esse trabalho de preparação.
Formação de profissionais para atuação em desastres
A qualificação profissional também integra as ações desenvolvidas pelo Centro. Em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Cemaden implementou, em 2019, uma pós-graduação voltada ao tema dos desastres.
De acordo com Regina Alvalá, desde então foram formados 40 mestres e mais de dez doutores.
A criação dos novos laboratórios soma infraestrutura de pesquisa, monitoramento e simulação ao trabalho de formação de profissionais e preparação das comunidades. A proposta é ampliar a capacidade do Cemaden de produzir informações e preparar diferentes agentes para situações relacionadas a desastres naturais.



