Durante o EXAME ESG Summit 2026, a diretora do Instituto Ar, Dra. Evangelina Araújo, destacou que a saúde precisa ocupar um papel central nas estratégias de adaptação à crise climática.
A mudança climática já não representa apenas um desafio ambiental. O aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, queimadas, secas e enchentes, têm provocado impactos diretos sobre a saúde da população e exigido uma transformação na forma como governos, empresas e instituições planejam suas ações.
Foi justamente esse o foco do painel sobre saúde realizado durante o EXAME ESG Summit 2026, encontro promovido pela EXAME para discutir o papel da agenda ESG diante da intensificação da crise climática. Realizado em 28 de maio, em São Paulo, o evento reuniu especialistas de diferentes áreas para debater temas como sustentabilidade, governança, infraestrutura resiliente, economia circular, transição energética e saúde.
Representando o Instituto Ar, a diretora e fundadora Dra. Evangelina Araújo, participou das discussões e reforçou que não é mais possível tratar saúde e clima como agendas separadas.
Saúde precisa ser parte de políticas públicas
Durante sua participação no painel, Evangelina destacou que os impactos da mudança climática extrapolam o sistema de saúde e precisam ser considerados em todas as decisões relacionadas ao desenvolvimento das cidades.
“A saúde deveria ser transversal.”
Segundo a diretora do Instituto Ar, questões como mobilidade urbana, infraestrutura, meio ambiente, planejamento territorial e políticas sociais também influenciam diretamente a saúde da população e, por isso, precisam incorporar a perspectiva climática em seus processos de decisão.
Essa visão dialoga com a necessidade de construir cidades e sistemas públicos mais resilientes (um conceito cada vez mais presente no debate internacional), capazes de proteger as populações diante do aumento dos eventos extremos.
A crise climática também é uma crise de saúde
Nos últimos anos, diversos estudos têm demonstrado que a mudança climática amplia riscos relacionados a doenças respiratórias, cardiovasculares, infecciosas e problemas de saúde mental.
Ondas de calor elevam o número de internações e óbitos, a poluição do ar agrava doenças crônicas, enquanto queimadas, enchentes e secas comprometem o acesso à água, à alimentação e aos serviços de saúde.
Para Evangelina Araújo, esse cenário exige que a saúde deixe de ser vista apenas como uma resposta aos problemas e passe a orientar políticas públicas de prevenção e adaptação.
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento em que a saúde passou a ocupar espaço de destaque nas negociações internacionais sobre clima.
COP30 fortalece a agenda entre clima e saúde
Durante o debate, Evangelina lembrou que a relação entre mudança climática e saúde ganhou um novo impulso com a apresentação do Plano de Ação em Saúde de Belém, iniciativa internacional voltada ao fortalecimento dos sistemas de saúde frente aos impactos da crise climática.
A proposta busca ampliar a capacidade dos países para responder aos efeitos dos eventos extremos, especialmente entre as populações mais vulneráveis, estimulando investimentos em prevenção, adaptação e fortalecimento dos serviços de saúde. O avanço dessa agenda reforça que enfrentar a crise climática também significa proteger vidas.
Formação de profissionais acompanha essa transformação
Outro tema debatido durante o painel foi a necessidade de preparar melhor profissionais da saúde para lidar com os impactos da mudança climática.
As novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Medicina e Enfermagem passaram a incorporar conceitos relacionados à clima e vulnerabilidade social, refletindo uma compreensão mais ampla da saúde.
A discussão evidencia que o cuidado em saúde depende não apenas do atendimento clínico, mas também das condições ambientais, sociais e territoriais em que as pessoas vivem.
Hospitais também precisam se adaptar
Além da formação profissional, especialistas presentes no evento destacaram que hospitais e serviços de saúde precisam incorporar os riscos climáticos ao planejamento institucional.
A preparação envolve desde protocolos para enfrentar ondas de calor e episódios de poluição do ar até estratégias para garantir o funcionamento das unidades durante eventos extremos, tornando os sistemas de saúde mais resilientes diante de um cenário climático em transformação.
A transformação depende de políticas públicas
Embora iniciativas desenvolvidas por instituições de saúde, universidades e organizações da sociedade civil sejam fundamentais, Evangelina Araújo destacou que a adaptação climática exige mudanças estruturais.
“O que trará a maior transformação são as políticas públicas.”
A construção de cidades mais resilientes, o fortalecimento dos sistemas de saúde, a melhoria da qualidade do ar e a proteção das populações vulneráveis dependem de planejamento integrado e de decisões capazes de incorporar a saúde como eixo central das políticas climáticas.
A participação do Instituto Ar no EXAME ESG Summit 2026 reforça o compromisso de contribuir para que a saúde esteja no centro das discussões sobre mudança climática, fortalecendo o diálogo entre ciência, gestão pública, setor privado e sociedade na construção de respostas capazes de proteger as pessoas.


