Os incêndios florestais têm se tornado cada vez mais frequentes e severos em diferentes regiões do país. Seus impactos vão muito além da vegetação atingida, afetando a saúde da população, a qualidade do ar, a biodiversidade e a economia.
Diante desse cenário, o Instituto Ar lança o Policy Brief “Manejo Integrado do Fogo no Brasil”, um documento que reúne evidências, análises e recomendações para fortalecer estratégias de prevenção e gestão do fogo no país.
Mais do que discutir o combate aos incêndios, o material propõe uma reflexão sobre a necessidade de adotar abordagens preventivas, integradas e adaptadas às diferentes realidades territoriais brasileiras.
Uma mudança de paradigma na gestão do fogo
Uma das principais mensagens do documento é que o fogo não pode ser tratado apenas como um problema a ser combatido quando já está fora de controle.
O Policy Brief destaca que o Manejo Integrado do Fogo (MIF) representa uma mudança importante na política pública brasileira ao substituir uma lógica predominantemente reativa por uma abordagem preventiva, territorial e integrada.
Essa perspectiva reconhece que diferentes biomas possuem características próprias e que estratégias eficazes de prevenção precisam considerar aspectos ecológicos, sociais, culturais e climáticos.
Nem todo fogo é igual
Outro ponto importante apresentado pelo documento é que nem todo uso do fogo produz os mesmos impactos.
O material destaca que a legislação brasileira reconhece o uso tradicional do fogo por povos indígenas, comunidades quilombolas e outras populações tradicionais, valorizando conhecimentos construídos ao longo de gerações.
Ao mesmo tempo, o documento reforça que incêndios florestais severos estão associados a fatores como secas extremas, degradação ambiental e acúmulo excessivo de material combustível, produzindo impactos significativos sobre a biodiversidade, o solo e a qualidade do ar.
Por isso, compreender os diferentes contextos relacionados ao uso do fogo é fundamental para evitar simplificações e construir políticas públicas mais eficazes.
Saúde pública e qualidade do ar também fazem parte da discussão
O Policy Brief reforça que os impactos dos incêndios florestais vão além das questões ambientais.
A fumaça gerada por esses eventos pode aumentar a exposição da população a poluentes atmosféricos, ampliando riscos para a saúde, especialmente entre grupos mais vulneráveis. O documento defende a integração entre políticas de manejo do fogo, monitoramento da qualidade do ar e proteção da saúde pública.
Entre as recomendações apresentadas estão:
- integração entre monitoramento de incêndios e qualidade do ar;
- criação de protocolos sanitários para episódios de fumaça;
- fortalecimento da capacidade de resposta do sistema de saúde;
- ampliação da proteção de populações vulneráveis.
Tecnologia e monitoramento para agir antes da emergência
O documento também destaca o papel estratégico do monitoramento e da tecnologia na prevenção.
Segundo o Policy Brief, o Brasil já possui uma infraestrutura robusta de monitoramento ambiental, mas ainda enfrenta desafios relacionados à integração de dados e à transformação dessas informações em ações rápidas e efetivas.
A recomendação é fortalecer sistemas integrados de monitoramento capazes de conectar dados de satélite, informações meteorológicas e operações em campo, reduzindo o tempo entre a detecção de riscos e a resposta às ocorrências.
Conhecimento, prevenção e ação integrada
As conclusões do documento apontam que os incêndios florestais são resultado da interação entre mudanças climáticas, desmatamento, degradação ambiental e desafios de gestão territorial. Por isso, soluções duradouras dependem da integração entre ciência, tecnologia, políticas públicas, brigadas comunitárias e saberes tradicionais.
O Policy Brief “Manejo Integrado do Fogo no Brasil” já está disponível.
O projeto Marajó sem Fumaça é uma iniciativa do Instituto Ar em parceria com umgrauemeio e apoio do Clean Air Fund.



