Como construir narrativas eficazes sobre clima e poluição?
No Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, uma pergunta precisa ganhar centralidade: como estamos comunicando a crise climática e a poluição do ar?
Em um cenário marcado por aumento no número de mortes por poluição, além de ondas de calor, queimadas recordes, eventos climáticos cada vez mais intensos e impactos diretos na saúde da população, a informação se tornou uma ferramenta estratégica. Mas, ao mesmo tempo em que os dados científicos avançam, informações equivocadas também se espalham, muitas vezes mais rápido.
A dimensão do problema
A poluição atmosférica é responsável por cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2019, a Organização das Nações Unidas classificou a poluição do ar, junto às mudanças climáticas, como a primeira emergência global em saúde.
Apesar disso, a cobertura sobre o tema ainda apresenta lacunas importantes:
- Uso inadequado de termos técnicos;
- Falta de contextualização de dados e da conexão entre clima e poluição do ar;
- Pouca explicação sobre histórico de políticas públicas e responsabilidades institucionais.
O resultado é preocupante:
- Desinformação e baixa percepção de risco — a população não compreende plenamente os impactos na saúde e no cotidiano;
- Redução do engajamento social — pautas urgentes perdem força;
- Paralisia da ação — sem clareza sobre o problema, fica mais difícil cobrar soluções ou adotar mudanças.
Conscientização ambiental não depende apenas de ciência. Depende de como essa ciência é comunicada.
Comunicação como estratégia de saúde pública
A interconexão entre clima, qualidade do ar e saúde é cada vez mais evidente. Poluentes atmosféricos agravam doenças respiratórias e cardiovasculares. Ondas de calor aumentam internações e mortalidade. Queimadas impactam populações inteiras por semanas ou meses. Esses problemas derivam das mesmas fontee de emissões atmosféricas.
No entanto, quando a informação chega de forma fragmentada ou imprecisa, a sociedade perde a capacidade de compreender a dimensão sistêmica do problema.
Comunicar bem significa:
- Traduzir dados complexos em linguagem acessível;
- Diferenciar fenômenos locais e globais;
- Conectar e integrar as pautas ao invés de enxergar problemas de forma isolada;
- Explicar impactos concretos na saúde;
- Contextualizar números e políticas públicas;
- Evitar alarmismo, mas também evitar minimizações.
Em tempos de crise climática, a comunicação responsável é uma ferramenta de prevenção.
Um convite ao diálogo: Webinário “Comunicação de qualidade (do ar): como construir narrativas eficazes sobre clima e poluição? ”
Como parte das ações relacionadas ao Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, o Instituto Ar realiza, no dia 24 de março, das 10h às 12h, o webinário: “Comunicação de qualidade (do ar): como construir narrativas eficazes sobre clima e poluição?”
O encontro marcará o lançamento do guia Comunicação de Qualidade (do Ar) e tem como principal objetivo aprofundar o debate sobre os desafios da comunicação em temas de poluição atmosférica e mudanças climáticas.
Mais do que apresentar uma publicação, o webinário propõe:
- Discutir como as falhas na comunicação afetam o debate climático;
- Capacitar comunicadores(as) com estratégias práticas para qualificar a cobertura;
- Promover o diálogo entre saúde, ciência climática, monitoramento de dados e comunicação;
- Fortalecer narrativas baseadas em evidências científicas.
Entre os painelistas confirmados do webinário estão:
- Paulo Saldiva – Professor titular na FMUSP, médico patologista e embaixador do Movimento Médicos pelo Clima
- Ane Alencar- Diretora do Instituto de Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
- Thaís Brianezi – Professora da ECA/USP e coordenadora da Licenciatura em Educomunicação.
- Helen Sousa – Analista de projetos no Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA)
Para quem é o webinário?
O evento é direcionado a:
- Jornalistas e profissionais de comunicação;
- Pesquisadores(as) e estudantes;
- Criadores de conteúdo;
- Profissionais da área de saúde e sustentabilidade;
- Qualquer pessoa interessada em produzir informação responsável sobre clima e poluição do ar.
Em um contexto em que as falhas e omissões na comunicação comprometem decisões individuais e coletivas, aprimora-la é um ato de responsabilidade social.
Conscientização começa com informação clara
O 16 de março nos lembra que enfrentar as mudanças climáticas e a poluição do ar exige políticas públicas, inovação tecnológica e mobilização social. Mas também exige algo fundamental: informação de qualidade.
Se queremos ampliar a percepção de risco, fortalecer o debate público e proteger a saúde da população, precisamos começar pela forma como contamos essa história.
24 de março
10 às 12h
Participe e ajude a construir uma comunicação mais clara, responsável e transformadora.


