As mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano de milhões de trabalhadores e representam um desafio crescente para a saúde, a segurança e as condições de trabalho. De acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 70% dos trabalhadores no mundo já sofrem impactos relacionados às alterações climáticas, especialmente aqueles expostos a ambientes externos e a condições insalubres.

O documento alerta que as atuais políticas de segurança e saúde no trabalho enfrentam dificuldades para acompanhar essa nova realidade climática, o que amplia riscos e desigualdades.

Trabalhadores estão entre os mais vulneráveis aos efeitos da crise climática

Segundo a OIT, os trabalhadores costumam ser a primeira parcela da população a sentir os impactos diretos das mudanças climáticas, uma vez que muitas atividades dependem de condições ambientais estáveis.

Os efeitos são ainda mais severos entre:

  • Trabalhadores de baixa renda
  • Trabalhadores informais e sazonais
  • Trabalhadores rurais e aqueles que atuam ao ar livre

Esses grupos frequentemente enfrentam maior exposição ao calor extremo, à poluição do ar e a outros riscos ambientais, com menor proteção institucional.

Poluição do ar e exposição a substâncias tóxicas: dados preocupantes

O relatório da OIT apresenta números que evidenciam a gravidade do problema:

  • Mais de 1 bilhão de trabalhadores estão expostos à poluição atmosférica
  • Essa exposição está associada a cerca de 860 mil mortes entre pessoas que trabalham ao ar livre
  • No setor agrícola, estima-se que 870 milhões de trabalhadores tenham sido expostos a pesticidas
  • Esses números estão relacionados a aproximadamente:
    • 300 mil mortes por envenenamento
    • 15 mil mortes associadas a doenças parasitárias
  • Em 2020, cerca de 71% dos trabalhadores no mundo já eram afetados por alterações climáticas

Esses dados reforçam que a crise climática é também uma crise de saúde pública e ocupacional.

Calor extremo e adicional de insalubridade

A Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15), Anexo 3, classifica o calor como agente insalubre. Nesses casos, trabalhadores expostos a condições de risco têm direito a um adicional salarial, que pode chegar a 20% do salário mínimo em situações de grau médio de risco.

No entanto, uma alteração realizada em 2019 passou a reconhecer apenas o calor proveniente de fontes artificiais como passível de adicional de insalubridade, excluindo o calor natural, justamente aquele intensificado pelas mudanças climáticas.

Essa mudança afeta diretamente trabalhadores expostos ao calor extremo ao ar livre, como os trabalhadores rurais.

Mudanças climáticas, saúde e produtividade

Além dos impactos diretos sobre a saúde, as mudanças climáticas geram efeitos indiretos relevantes. O aumento das temperaturas, a redução da definição das estações do ano e a combinação de calor intenso com ambientes úmidos favorecem a proliferação de insetos e doenças, como a dengue.

Esses fatores impactam não apenas a saúde da população, mas também:

  • A produtividade do trabalho
  • O aumento de afastamentos laborais
  • A pressão sobre o sistema de saúde e a Previdência Social

Apesar disso, esses efeitos ainda recebem pouca atenção nas políticas públicas e na legislação trabalhista.

Preparar empresas e trabalhadores para o calor extremo é urgente

As ondas de calor deixaram de ser uma preocupação futura e já afetam diretamente a saúde, o bem-estar e a produtividade de milhões de trabalhadores. Diante desse cenário, empresas, gestores e profissionais de saúde ocupacional precisam estar preparados para prevenir riscos e proteger suas equipes.

📅 28 de fevereiro
Das 8h às 12h
📍 Anfiteatro Mario Camargo da FMUSP – São Paulo

O Instituto Ar convida você para um encontro essencial que marca o lançamento do “Guia prático para empresas – Calor e Saúde do Trabalhador”.

Desenvolvido pelo Instituto Ar, em parceria com a Associação Paulista de Medicina do Trabalho e o Médicos pelo Clima, com apoio do Instituto Itaúsa, o Guia é um material estratégico voltado especialmente para empresas de médio e grande porte, em setores mais expostos ao calor extremo — como transporte, construção, logística, indústria e serviços urbanos.

O material reúne orientações práticas para:

  • Reconhecer os riscos do calor extremo no ambiente de trabalho
  • Proteger a saúde dos trabalhadores
  • Reduzir afastamentos e impactos na produtividade
  • Fortalecer ações de prevenção e adaptação climática

Inscrições abertas na primeira semana de fevereiro.

Um desafio climático, social e institucional

A exposição simultânea ao calor extremo, à poluição do ar e a substâncias químicas, como agrotóxicos, coloca milhões de trabalhadores em situação de vulnerabilidade, especialmente no meio rural.

Para o Instituto Ar, os dados reforçam a necessidade de integrar clima, saúde e trabalho nas estratégias de enfrentamento da crise climática, fortalecendo políticas públicas que priorizem a prevenção, a redução das desigualdades e a proteção da saúde humana.

A crise climática já afeta o mundo do trabalho e enfrentá-la é essencial para garantir condições de vida e trabalho mais justas e saudáveis.

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