No dia 18 de novembro, o Instituto Ar e o artista multimídia Alexandre Orion abriram oficialmente a mostra AR-TE, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), em um evento que reuniu mais de 70 convidados para uma experiência que uniu arte, ciência e reflexão sobre o futuro do ar que respiramos.
Uma abertura imersiva com o artista
A programação começou com uma visita guiada conduzida pelo próprio Orion, que apresentou o processo de desenvolvimento e o conceito criativo por trás de cada uma das dez obras inéditas da exposição. Durante o percurso, o artista compartilhou como transforma a própria poluição das cidades em linguagem visual, uma marca reconhecida de seu trabalho e como cada peça denuncia, de forma sensível e contundente, a crise da qualidade do ar.
O público também pôde conhecer a versão tátil integral da exposição, instalada na Biblioteca Louis Braille, que permite que pessoas com deficiência visual experimentem toda a mostra por meio do toque.
Estreia do minidocumentário “E Quando o Pior Ar Piorar?”
Em seguida, foi exibido pela primeira vez o minidocumentário “E Quando o Pior Ar Piorar?”, produzido pela Big Bonsai. O filme acompanha as pesquisas e experimentações de Orion ao usar fuligem e sujeira urbana como matéria-prima artística, e traz depoimentos potentes de especialistas que ampliam o diálogo entre arte, saúde, ciência e sociedade.
Entre eles, estão o médico patologista Dr. Paulo Saldiva, a doutora em física atmosférica e pesquisadora do Instituto Ar Renata da Costa, o filósofo e economista Eduardo Giannetti, a liderança indígena e brigadista florestal Sônia Ara Mirim e a diretora executiva do PerifaConnection Thuane Nascimento (Thux).
Bate-papo com arte, ciência e compromisso público
Após a exibição, o público participou de um bate-papo com Alexandre Orion, Evangelina Araújo, médica e fundadora do Instituto Ar e representantes dos patrocinadores, em uma conversa sobre o papel da arte na mobilização da sociedade, os impactos da poluição do ar na saúde e os caminhos para transformar dados científicos em experiências que sensibilizam e inspiram mudança.
O que é o Festival AR-TE
A mostra AR-TE reúne uma exposição inédita e um minidocumentário que convidam o público a encarar, de forma direta e sensorial, a gravidade da poluição do ar e seus efeitos na vida humana e no planeta.
A exposição traz uma linha do tempo impactante do trabalho de Orion sobre poluição, desde a histórica intervenção “Ossário”, no túnel Max Feffer, até sua nova série “E Quando o Pior Ar Piorar?”, criada após a constatação alarmante de que São Paulo figurou entre as megacidades com o ar mais poluído em rankings internacionais.
As obras combinam arte e informação, unindo processos criativos com dados científicos sobre poluição atmosférica, crise climática e saúde. Já a versão tátil permite ampliar o acesso e levar a experiência a novos públicos.
“O projeto AR-TE é uma ponte poderosa entre arte e ciência, capaz de traduzir temas complexos em experiências acessíveis e transformadoras”, afirma Evangelina Araújo, médica e fundadora do Instituto Ar.
A iniciativa nasce da parceria entre o Instituto Ar, organização que atua desde 2008 no enfrentamento da mudança climática e da poluição pela perspectiva da saúde e Orion, cuja obra há mais de 20 anos revela a urgência ambiental com profundidade estética e crítica.
O Festival AR-TE é apresentado pelo Ministério da Cultura e produzido pelo Instituto Ar em parceria com Alexandre Orion, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio de Chiesi e Grupo Fleury.
Um chamado à reflexão em meio à COP30
Lançada em um momento crucial, no contexto das discussões globais da COP30, a mostra AR-TE reforça a importância de unir conhecimento científico, mobilização social e sensibilidade artística para provocar debates e estimular caminhos para um futuro mais saudável e sustentável.









